domingo, 3 de janeiro de 2016

Buraco negro é visto “engolindo” uma estrela e "arrotando" seus restos pela primeira vez

Nosso Planeta     22:58     No comments

Pela primeira vez, os pesquisadores observaram uma estrela sendo engolida por um buraco negro, e em seguida, arremessando de volta os restos da matéria como uma labareda de plasma se movendo a uma velocidade próxima à da luz. Este processo tem sido comparado a um ‘arroto cósmico’.

Os cientistas já viram buracos negros engolir estrelas anteriormente, e também já detectaram, separadamente, estes jatos misteriosos de matéria, mas, até então, ninguém tinha sido rápido o suficiente com telescópios para poder avistar os dois eventos em sequência.
 
Estes eventos são extremamente raros. É a primeira vez que vemos todo o processo, desde a destruição estelar, até a sequência do lançamento por uma saída cônica, também chamado de jato. Nós vimos o evento se desdobrar ao longo de vários meses”, disse o pesquisador Sjoert van Velzen, da Universidade Johns Hopkins, nos EUA.
 
Segundo Sjoert, os astrofísicos haviam previsto que o evento poderia acontecer quando um buraco negro é alimentado à força por uma grande quantidade de gás (neste caso, uma estrela inteira). Assim, como consequência, um jato de movimento rápido de plasma poderia escapar perto do horizonte de eventos. Por isso, a observação torna-se incrível.
 
Até recentemente, pensava-se que os buracos negros, devido à força gravitacional colossal, não eram capazes de ejetar nada, nem mesmo a luz, mas pesquisadores como Stephen Hawking e Gerard 't Hooft foram capazes de mostrar que a energia poderia, de fato, escapar de um buraco negro. Agora, parece que o fato também pode acontecer perto do horizonte de eventos. A estrela devorada tinha, aproximadamente, o tamanho do nosso Sol, e o buraco negro em questão estava situado no centro de uma galáxia a cerca de 300 milhões de anos-luz de distância.
 
O primeiro comentário da observação pioneira da estrela sendo destruída foi feito no Twitter, no início de dezembro de 2014, por uma equipe da Universidade Estadual de Ohio, nos EUA, que tinha localizado o evento com um telescópio ótico no Havaí. Imediatamente, van Velzen e um grupo de pesquisadores internacionais observaram o novo evento, apontando um grupo dos telescópios de rádio na direção da galáxia, na esperança de capturar o jato de plasma em erupção que eles previram que iria acontecer em seguida. Eles, então, conseguiram testemunhar o evento por uma série de satélites e telescópios, criando uma imagem do evento em raios-X, rádio e sinais ópticos, publicando os dados da pesquisa observacional na revista Science.
Os pesquisadores descartaram a possibilidade de que a luz tenha sido irradiada para fora por um "disco de acreção", – que se forma quando um buraco negro está sugando a matéria do espaço –, e, em seguida, apoiaram a hipótese de que o jato era, de fato, oriundo de uma estrela sugada.

“A destruição de uma estrela por um buraco negro é bem complicada, longe de ser compreendida. A partir de nossas observações, aprendemos que os fluxos de detritos estelares podem se organizar e fazer um jato muito rapidamente, o que é uma valiosa contribuição para a construção de uma teoria completa desses eventos”, concluiu van Velzen.

(Fonte: JornalCiência)

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